ss

Conall

Despida…

Home  |  Desenvolvimento pessoal   |  Despida…

Despida…

 

Há uns dias, num almoço de trabalho com pessoas que muito estimo, alguém disse uma frase que não me saiu da cabeça…

 Estamos a iniciar um novo projeto, aliciante e entusiasmante como tudo o que sempre faço. A minha postura é sempre a mesma, como amo seres humanos, delicio-me a conhecer a arquitetura de cada um. Cada vez que interajo com alguém, tento entendê-lo da melhor forma que sei e posso.

Em primeiro lugar, faço isto porque considero que é uma questão de amor e cortesia. Não há nada mais bonito do que um ser humano ser visto como realmente é e ser tratado em conformidade.

Em segundo lugar, é para mim uma questão de eficiência. Se sei como o outro é, posso trabalhar com ele respeitando a sua essência, articulando com a minha e potenciando resultados. Se nos conhecermos bem, poderemos trabalhar muito melhor.

Para mim parece-me óbvio… Mas ao longo da vida se há coisa que aprendi é que o que é óbvio para mim nem sempre o é para os outros.

E assim foi neste almoço…

Enquanto conversávamos eu disse que iria dar mais atenção ao perfil da pessoa com quem falava, isto para que pudesse conhecê-la para melhor me articular com a sua forma de trabalhar. A resposta surpreendeu-me: Não gosto de me sentir assim tão despida.

Na altura sorri e nada disse, pois sei que é necessária coragem para verbalizar esta frase. Sei também que, na maioria das vezes, as pessoas sentem isso na minha presença.

No entanto, devo confessar que, embora já consiga aceitar sem questionar, ainda sinto alguma dificuldade em compreender estas situações… Na altura não pensei muito mas depois comecei a interrogar-me e com isso surge a inspiração…

Perguntava o seguinte: Por que razão as pessoas se sentem despidas numa conversa? Não será isso verdadeira conexão? Se a interação mais íntima entre dois seres humanos pressupõe a ausência de roupa, não quererá dizer que para a haver conexão numa boa conversa devemos despir-nos? Não devemos também tirar as nossas máscaras?

Acredito que hoje é bem mais fácil fazer uma selfie, com muito pouca roupa, do que sentar-se com alguém e ter uma conversa genuína. Sinto isso todos os dias… o isolamento emocional, a solidão das almas, medo da exposição da verdadeira essência daquilo que somos…

Tudo isto é fruto de uma não aceitação, não nos aceitamos tal como somos, mas na maioria das vezes também não estamos dispostos a mudar nada em nós.

Por isso, como queremos que gostem de nós, e não nos queremos mostrar tal como somos pois não gostamos do que vemos, fingimos ser outra coisa. Não me parece contudo que seja uma estratégia que nos leve a bom porto…

E o que fazer então?

O primeiro passo é Parar! Parar para nos contemplarmos e para nos sentirmos com tranquilidade. Depois de calmamente começarmos a Sentir, podemos começar a ver a nossa vida, a ver-nos naqueles momentos da vida em que sentimos Amor por nós mesmos, o dito Amor-próprio.

Podem ser pequenos momentos, episódios ou conquistas, mas é importante que os recordemos e que sintamos o que sentimos na altura. Deixemos que essas recordações nos impregnem o corpo e a alma, que as emoções desses momentos nos inundem e fiquem impregnadas em nós.

… Depois de sentir tudo isto, imaginemos como será conversar com alguém nesse estado inundado de Amor. O que temos vontade de dizer? Que coisas estaríamos dispostos a partilhar? Até onde gostávamos de nos entregar?

Neste estado de segurança que só o Amor nos dá, estamos dispostos a ser nós e a mostrar-nos assim ao outro.

Nesse estado em que eu me sinto de forma autêntica, genuína, plena, estou disposto a mostrar-me ao outro tal como sou. E essa decisão acaba por trazer uma consequência extraordinária: é que isso que eu me dou, estou também disposto a dar ao outro! Esta aceitação daquilo que sou é estendida ao outro. Por isso, estou também disposto a aceitá-lo tal como é, sem críticas, julgamentos ou juízos de valor.

Este é o segredo da verdadeira conexão, da autenticidade nas relações… tudo começa em nós e depois recebemos o que damos…

Sabendo disto, vamos então despir-nos de máscaras e começar a conectar-nos de forma autêntica!

 

 

 

(Esta artigo foi publicado na 239ª Edição da Revista SIM, em Setembro de 2019.)

Créditos da imagem: Brodie Vissers do Burst

[author id=”” class=”” style=””]

[line id=”” class=”” style=””]

PREV

Aventurar-se no Amor

NEXT

Gratidão

LEAVE A COMMENT